Tradições

Quadrilha Junina

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A quadrilha tem origem francesa, nas contradanças de salão do século 17. O estilo chegou ao Brasil no século 19, trazido pelos nobres portugueses, e foi sendo adaptado até fazer sucesso nas festas juninas.

No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. Como as coreografias eram indicadas em francês, o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês, o que deu origem ao matutês, mistura do linguajar matuto com o francês, que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina. A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como Olha a chuva! É mentira, A Ponte quebrou, Nova ponte, Caminho da roça e também outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva, o padre, o pai da noiva, o sacristão, o juiz e o delegado. O casamento matuto, hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento.

O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica, satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior.

Há atualmente uma nova forma de expressão junina, a quadrilha estilizada, que não é uma quadrilha matuta, mas um grupo de dança que tem uma coreografia própria, com passos criados exclusivamente para a música escolhida, como num corpo de balé. O grupo incorpora alguns personagens como Lampião, Maria Bonita, sinhôzinho, espanholas e ciganos. Os seus trajes lembram roupas típicas do folclore dos pampas gaúchos.

Fogueira

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O hábito de acender fogueiras durante o ciclo junino, veio da Europa, quando as populações do campo festejavam a proximidade das colheitas e faziam sacrifícios para afastar os demônios da esterilidade, pestes de cereais, estiagens. Nos cultos agrícolas também acendiam-se fogueiras que foram divulgados pelo domínio do folclore e da etnografia européia.

Outra vertente explica que a fogueira já estava presente nas celebrações juninas feitas por pagãos e indígenas, mas também ganhou uma explicação cristã: Santa Isabel (mãe de São João Batista) disse à Virgem Maria (mãe de Jesus) que quando São João nascesse acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida

Bacamarteiros

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Bacamarte é uma arma de fogo, de cano curto e largo, também conhecida comogranadeira, reiuna, reuna ou riuna, principalmente, no Nordeste brasileiro. As granadeiras ou bacamartes que serviram na Guerra do Paraguai, em 1865, foram modificadas para que as armas se adaptassem ao uso dos bacamarteiros nas festas do interior de Pernambuco. Desde os fins do século XIX, grupos de bacamarteiros se exibem em Caruaru durante as festas juninas.

De um modo geral, o folguedo se constitui de homens portando bacamarte, que são disparados com cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros ou em cerimônias cívicas e políticas.

 

Em Caruaru, os bacamarteiros reúnem-se em grupos, troças ou batalhões, sob a chefia de um sargento e o controle geral de um comandante, que responde, perante às autoridades, pelos atiradores durante as apresentações.

 

A forma como os bacamarteiros se agrupam é bastante primitiva. Não há formalidades ou regulamentos. Só é necessário possuir um bacamarte, obedecer ao sargento e saber manejar a arma. A sanfona de 8 baixos, o triângulo, o zabumba de couro curtido e a banda de pífanos, acompanham os bacamarteiros de Caruaru, ao som de uma melodia de xaxado, que é acelerada nos desfiles ou lenta nas evoluções, na apresentação das armas, na frente das Igrejas e antes do início das salvas. O vestuário compõe-se de roupa de zuarte (algodão azul), lenço no pescoço, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras de flandre. Eles também colocam flores nos canos das armas.

 

Os comandantes exibem estrelas nos ombros e nos chapéus e usam bengalas ou guarda-chuvas como símbolo de comando. Apesar de Caruaru ser o maior pólo de bacamarteiros no Estado, existem também grupos em outros municípios pernambucanos como Cabo, Limoeiro, Belo Jardim.

Banda de Pífanos

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É um conjunto instrumental de percussão e sopro, dos mais antigos, característicos e importantes da música folclórica brasileira. Historicamente o pífano remonta à época dos primeiros cristãos, que tinham no pífano, pifes ou pífora, uma maneira de saudar a Virgem Maria nas festas natalinas. Na feição nordestina a banda de pífanos é uma criação do mestiço brasileiro, que com sua criatividade e intuição musical adaptou o instrumental, dando-lhe a forma típica pela qual é conhecida no folclore brasileiro.

Em Pernambuco, é composta por dois pífanos, uma caixa, um bombo, um surdo e um tambor.

O pífano é o comandante da banda. É um instrumento semelhante à flauta, feito de taquara, uma madeira muito comum nas matas do sul de Pernambuco.

Fogos de Artifício

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De acordo com a tradição popular, os fogos servem para despertar São João. Esta tradição também tem origem em Portugal e ainda é muito comum neste país, além de serem muito usados em todas as regiões do Brasil, principalmente no Nordeste.

Pau de sebo: é uma brincadeira bem tradicional. Prêmios são colocados no topo de um tronco escorregadio (com sebo animal). A dificuldade em subir proporciona muitas risadas e diversão para aqueles que assistem.

Bandeirinhas: toda festa junina tem que ter as famosas e tradicionais bandeirinhas coloridas. Enfileiradas e amarradas em barbantes, são espalhadas pela área (partes altas) onde ocorre a festa. Deixam a festa colorida e animada.

Comidas Típicas de Festa Junina

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Toda Festa Junina deve contar com os pratos típicos, pois eles fazem parte da tradição desta importante festa da cultura popular brasileira. São doces, salgados e bebidas que estão relacionados, principalmente, à cultura do campo. Podemos destacar que muitos cereais (milho, arroz) estão na base de grande parte das receitas destas comidas. O coco também aparece em grande parte das receitas, principalmente dos doces.

 

As principais bebidas e comidas de Festa Junina:

 

  • – Arroz Doce
  • – Bolo de Milho Verde
  •  – Pé de Moleque
  • – Bolo de Fubá
  • – Baba de moça
  • – Pipoca
  • – Munguzá
  • – Pamonha
  • – Canjica
  • – Milho Cozido
  • – Milho Assado
  • – Quentão
  • – Broa de Fubá
  • – Cocada
  • – Cuscuz
  • – Paçoca

Simpatias

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Os três santos homenageados em junho – Santo Antônio, São João Batista e São Pedro – inspiram não só novenas e rezas, como também várias simpatias. Acredita-se, por exemplo, que os balões levam pedidos para São João. Mas Santo Antônio é o mais requisitado, por seu “poder” de casar moças solteiras. Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar.

PARA ARRUMAR UM NAMORADO

  1. Dê um gelo no santo

Fale para a imagem do santo que enquanto ele não te arrumar um namorado, ficará na geladeira. E, que se demorar, irá para o congelador. Assim que seu amor bater à sua porta, não esqueça de tirá-lo de lá e agradecer.

  1. De ponta cabeça

Vire a imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo dentro de um copo d’água dizendo que o colocará de pé quando arranjar um namorado.

PARA SABER O NOME DO MARIDO

  1. Precisamente à meia-noite do dia 12 de junho, cravar um facão numa bananeira. O líquido que escorrer da planta deve formará a letra do nome do futuro amor.
  2. Escreva o nome dos canditados em papéis separados; um dos papeis deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

PARA SE CASAR

  1. Sem menino Jesus

Compre uma imagem feita de madeira de guiné e no dia de Santo Antônio separe o menino Jesus e peça: ”Santo Antônio, Santo Antoninho, faça *tal pessoa* se casar comigo, que eu devolvo o teu menino”. Mantenha o menino Jesus separado do santo e só devolva quando casar.

  1. Espinhos

Retire 3 espinhos de uma rosa vermelha e coloque dentro do perfume que você usa e que a pessoa gosta. Peça para Santo Antônio remover os obstáculos – se for para a felicidade de ambos. Use o perfume sempre que estiver com a pessoa.

  1. Bolo milagroso

Você vai precisar de um bolo pequeno, três velas com a figura de Santo Antônio e uma essência de flor de laranjeira (flor tradicional dos casamentos). No dia 13 de junho pela manhã, tome um banho com a essência de flor de laranjeira e acenda as três velas. Corte o bolo em quatro partes iguais. O primeiro pedaço do bolo deverá ser colocado na porta de uma igreja que realiza casamentos. Em seguida, entregue os pedaços a três mulheres casadas.

  1. Fita vermelha

Pegue uma fita vermelha e use-a  amarrada no sutiã – entre os seios – por sete dias. Após esse prazo, coloque a fita dentro de um envelope, lacre-o e deposite no altar de Santo Antônio. Reze ao santo e acenda uma vela de sete dias.

 

 

  1. Cravo

Plante um pé de cravo branco em um vaso bem bonito. Faça deste plantio um momento de devoção ao santo. Cuide dele com carinho e quando as flores nascerem, pegue uma e ofereça a Santo Antônio.

 

As mais conhecidas

1 – Quem deseja descobrir o nome do futuro companheiro deve comprar um facão e, à meia-noite do dia 12 de junho, cravá-lo numa bananeira. O líquido que escorrer da planta deve formar a letra do futuro amor.

2 – Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

3 – Aqueles que têm pressa em arranjar um namorado devem comprar uma pequena imagem do santo. E para agilizar a conquista do pedido, fazer dois procedimentos: tirar o Menino Jesus do colo do religioso, dizendo que só devolverá quando conseguir um namorado, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo.

4 – O mais afoito tem ainda outro recurso. Deve ir a um casamento e dar de presente aos noivos uma imagem de Santo Antônio, sem o Menino Jesus. Depois, pedir no altar para se casar com alguém, especial ou não. Assim que a graça for alcançada, deve retornar à igreja e lá depositar a imagem do Menino Jesus.

5 – Os que já estão acompanhados, mas ainda não subiram no altar, também possuem práticas específicas. A pessoa deve amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado. Eles devem ser colocados aos pés do santo, que, logo, logo, resolve a questão.

6 – À meia-noite do dia 12 de junho, quebre um ovo dentro de um copo com água e o coloque no sereno. No dia seguinte, interprete o desenho que se formou. Se aparecer algo semelhante a um vestido de noiva, véu ou grinalda, o casamento está próximo.

7 – Para a pessoa saber se o futuro companheiro será jovem ou mais velho, é preciso arranjar um ramo de pimenteira. De olhos fechados, ela deve pegar uma das pimenteiras. Se a escolhida for verde, ele será jovem. Caso contrário, o casamento acontecerá com alguém de idade avançada.

8 – A tradição popular acredita que há uma forma especial de fazer as pazes entre casais brigados. Para isso, é preciso um cravo e uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos com uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o procedimento, o devoto deve pensar que Santo Antônio vai uni-los outra vez.

9 – Para descobrir se falta muitos anos para a grande data, na véspera do dia 13 de junho, à meia-noite, amarre uma aliança – que pode ser de qualquer parente – numa linha ou num fio. Coloque um copo sobre a mesa e segure o fio de modo que a aliança esteja dentro do copo. Pergunte, então, quantos anos faltam para o casório. O número de batidas informa quantos anos ainda restam para o Dia D.

AINDA

No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.